 |
BATMAN ANO UM - Parte II

“Eu me tornarei um morcego” - Bruce Wayne
Wayne terá que escolher um método para combater o crime enquanto Gordon terá que encontrar seu lugar, ao lado do comissário Loeb ou ao lado da justiça. Ele escolhe o lado da justiça e enfrenta o policial corrupto Flass. Enquanto isso, Wayne visita o que ele chama de “o acampamento do inimigo” e se dá mal. Descobrirá, ferido pela faca de uma prostituta, que necessita vestir uma fantasia para infundir medo nos criminosos. É então que um morcego quebra a janela da mansão. Wayne encontrou a resposta que queria: “Eu me tornarei um morcego”.

O capítulo dois, “Declaração de Guerra”, nos mostra Gordon enfrentando problemas com o pessoal do departamento de polícia enquanto Batman combate o crime.

As primeiras aparições do Homem-Morcego chamam a atenção da imprensa e também da polícia, que faz de tudo para prender o fantasiado. Batman invade uma festa e avisa: “Comeram a riqueza de Gotham...seu espírito! O banquete acabou! De hoje em diante ...nenhum de vocês estará a salvo!” A responsabilidade pela captura do encapuzado recai nos ombros de Gordon e ambos acabam se encontrando, quase por casualidade. Batman, ferido, se refugia num prédio abandonado e Loeb ordena a Branden que jogue bombas nele.


O capítulo três, “Aurora Negra” traz a frase: “Eles o encurralaram.Estavam em maior número. Fizeram dele um prisioneiro. Eles estão em maus lençóis”. Pode ser uma frase de efeito, mas ele resume a ação trepidante deste episódio, para mim o melhor da saga, no qual um Batman ferido e praticamente com os mínimos recursos enfrenta a SWAT e escapa ileso, diante dos olhares de centenas de espectadores, entre os quais se inclui Selina Kyle, a futura mulher gato. Gordon ainda se envolverá com a policial Sara Essen, apesar de sua esposa estar esperando um filho.
O episódio quarto, “Amigo em apuros”, mostra o nascimento da mulher gato e o momento em que Gordon conta para sua mulher que está tendo um caso com a sargento Essen. O filho dele é raptado pelo pessoal de Romano, um dos mafiosos que controla Gotham e Wayne-Batman impede o sucesso da ação.
É o início de uma longa amizade entre o novo herói da cidade e, o agora capitão Gordon. O capítulo termina com Gordon esperando no topo do edifício da polícia, divagando:“Quanto a mim...bom, estou com um problema sério. Alguém ameaçou envenenar o reservatório de Gotham. O nome do louco é Coringa”.

O restante da história nós já conhecemos.
Não é de espantar que Frank Miller, após revirar o conceito do Batman na Gotham City futurista de Cavaleiro das Trevas, tenha tido brios para dissecar de uma só vez a origem do Batman e a ascensão do Comissário Gordon. Batman Ano Um foi a cutucada definitiva de Miller para modernizar a imagem do morcegão e, com isso, acabou dando à luz a uma das histórias mais honestas e eletrizantes a respeito do mascarado.
Só resta agora aguardar e torcer para que a Warner não queira fazer mais um filme na linha "homenagem a Adam West e Burt Ward", todo colorido. Estamos todos cansados dessa visão "fashion" que o cinema tenta passar a respeito das histórias em quadrinhos. Sinceramente, a essência não é essa.
Escrito por GüS às 12h28
[]
[envie esta mensagem]
BATMAN ANO UM - Parte I

“Para mim, Batman nunca foi engraçado” - Frank Miller
Para todos aqueles que querem saber algo a respeito de Bruce Wayne e o início de sua carreira como o maior detetive do mundo, Batman Ano Um é uma leitura obrigatória. Sua importância é tão grande que Christopher Nolan, o diretor responsável por Batman Begins, filme que promete reiniciar a franquia cinematográfica do Cavaleiro das Trevas usará como base o material de Batman Ano Um, contando a origem e os primeiros meses do Cavaleiro das Trevas como o vigilante mascarado de Gotham City. O filme terá no elenco Christian Bale, Ken Watanabe, Michael Caine, Katie Holmes, Liam Neeson, Gary Oldman, Tom Wilkinson, Rutger Hauer e Morgan Freeman. A adaptação tem estréia prevista para 2005 (http://batmanbegins.warnerbros.com)
Voltando ao assunto principal, vários fatores incidiram para que Batman Ano Um tenha atingido a estatura de clássico. Um deles foi que Frank Miller soube recuperar todos os elementos clássicos da personagem e com eles construir uma história densa e cativante, que foi sendo moldada através de duas tramas paralelas, as histórias de Bruce Wayne/Batman e o Tenente James Gordon.

O grande êxito de Ano Um é que a abordagem da origem de Batman feita por Frank Miller não se prende a interpretações épicas para discutir a origem do herói e, com isso, evita cair na armadilha de mostrar o morcegão pelo prisma do mito.
Um detalhe que chama a atenção é a maneira como Miller desfila um zoológico de personagens já familiares do público, mas de uma maneira discretíssima, removendo os elementos mais fantásticos que definem os mesmos para tornar a realidade de Gotham mais plausível. Temos assim as participações especiais de Harvey Dent, o promotor que viria a se tornar o vilão Duas-Caras; Selina Kyle, cujo passado decadente está intimamente ligado à sua versão madura em Cavaleiro das Trevas, e, no momento mais brilhante, o Coringa, que para o comissário Gordon é apenas mais um "louco".
Mas, como nem tudo é papo-cabeça, os momentos de ação também merecem ser mencionados. A cena em que Batman é cercado pela polícia num prédio que acabou de ser destruído é praticamente o clímax do enredo. Utilizando-se de uma linguagem cinematográfica, Miller e Mazzucchelli nos presenteiam com um dos momentos mais tensos da história dos quadrinhos: Batman, ferido e escondido, cercado por uma meia dúzia de policiais armados investigando os escombros, tenta sobreviver num verdadeiro jogo de gato-e-rato. O suspense construído aqui é de primeira, e dá pra sacar que a cena acabou servindo como uma espécie de referência para os irmãos Wachowski no clássico Matrix.
Batman Ano Um foi publicado em quatro capítulos e o título de cada um define perfeitamente o episódio respectivo. O capítulo um, “Quem eu sou e como vim a ser”, narra a volta de Wayne a Gotham City após anos de ausência nos quais passara se exercitando para combater o crime. Casualmente nesse mesmo dia, um novato tenente James Gordon chega à cidade para reforçar o corpo de polícia, dirigido pelo corrupto comissário Loeb. É interessante que a visão de ambos personagens, Wayne e Gordon, são diferentes mas complementares.
Escrito por GüS às 12h26
[]
[envie esta mensagem]

PARTE II
Diferente de Rorschach, V está em completo controle. "Não há coincidência, apenas ilusão de coincidência", ele conta a Délia. V sabe. Diferente de Rorschach, a máscara que ele usa não muda, sua máscara é seu rosto.
Além do mais, V é totalmente determinado a destruir o status quo. Estou certo de que essa era a intenção de Alan Moore, mas eu acho que Watchmen pode ter dado um incentivo para ele fazer isso de uma maneira diferente do que fora originalmente pensado. Apesar de tudo, parece que o mundo de V de Vingança e o mundo de Watchmen pré-Adrian não são muito diferentes: as pessoas estão quebradas, descontentes e malditas. Em Watchmen era função dos outros salvar o mundo. Em V de Vingança quem pode salvar a sociedade é apenas a sociedade.
Onde Rorschach usa força bruta que no fim das contas o enfraquece, V confia em outros. Oh, claro, V é fisicamente incrivelmente forte, mas ele nunca confia nisso ou o usa para favorecer seu objetivo de mudar o mundo. Para isso, ele confia no destino, que ele controla. Suas ações são deliberados: ele sabia que matar Derek Almond eventualmente culminaria no assassinato de Susan por Rose - ou ele sabia o suficiente para manter-se na sua cola e apontá-la a direção.
V manipula. Ele não controla - nunca força ninguém a fazer nada, diferente de Rorschach. Claro, é uma linha fina em que V anda, mas ele não força ninguém a fazer nada contra sua vontade. V entende o que Rorschach não: que as pessoas devem escolher por elas mesmas.
Em Watchmen, um pequeno punhado de pessoas decide o destino do mundo - principalmente o problema com os super-heróis; um homem ganha e a paz pode ou não ser estabilizada. Em V de Vingança Moore dá ao mundo a chance de mudar. Ele sabe como mostrar essa mudança, mas não dá a oportunidade para fazer isso. E diferente de Watchmen, são as pessoas que escolhem, não V. V diz "Esta noite, vocês podem escolher o que vem primeiro. Vidas particulares, ou um retorno às correntes". V de Vingança é uma história positiva. V é uma figura positiva que se recusa a deixar a escuridão o engolir, que na realidade não deixa a escuridão engolir ninguém. Ele está determinado a fazer uma mudança, e tem sucesso; mesmo se o mundo mudar quando ele morrer, pelo menos ele terá afetado Evey, Rose e Finch.
Uma comparação final de V com Rorschach: os efeitos da morte de Rorschach são tão aleatórios quanto sua vida. O New Frontiersman pode ou não imprimir o diário. Se sim, o povo pode não acreditar, pode não acontecer nada. A vida inteira de Rorschach, no fim, terá sido guiada ao nada. A morte de V, por outro lado, é muito mais intencional: primeiramente, pode ser argumentado que ele sabia que tinha feito seu trabalho, enfraquecendo os Poderes Que São e fortalecendo a população. Ele havia uma vingança a cumprir e quando ela acabou, ele também se acabou. Sua morte prepara o terreno não apenas para a sucessão de Evey, mas também para a sucessão da sociedade.
Enfim, leiam ambos. Vocês não se arrependerão!
Escrito por GüS às 13h58
[]
[envie esta mensagem]

PARTE I
De certa maneira, eu acho que Watchmen foi a melhor coisa que aconteceu para V de Vingança.
No futuro de Watchmen, o mundo é tão frio, tão torto, que deixa um gosto ruim em sua boca. Não que o mundo de V de Vingança seja muito mais alegre. Apenas acho que uma vez que Moore mergulhou nas profundezas e implicações de Watchmen ("Se contemplas o abismo..."), ele usou V de Vingança para puxar ele mesmo e a humanidade para fora.
Eu penso que Rorschach é como a máscara que ele usa, sempre em fluxo, mas no fim das contas preto ou branco. Ou um ou outro. Ele pode alternar dois pontos de vista, mas nunca vai ver os dois completamente.
Ele é um conjunto de contradições. Repare neste frase dita por ele: "A existência é aleatória. Sem padrão a não ser o que imaginamos depois de contemplar tudo por muito tempo. Sem sentido a não ser o que escolhemos impor". Isto não parece algo vindo de um homem que acredita em qualquer coisa, que funciona baseado numa idéia excêntrica, fazendo o que quer. Mas esse não é o caso. Rorschach, por toda sua vanglória, é um homem que guarda profundos valores morais. Ele é altamente insistente em suas opiniões e inflexível mesmo diante do Armagedon. Ele acredita que as coisas devem ser de uma maneira e Deus te ajudará se você entrar em seu caminho.
No final das contas, Rorschach luta para manter um status quo, mesmo se for um antigo e sem esperança no mundo em que ele está. Em vez de realmente mudar alguma coisa, ele apenas belisca pequenos vermes abaixo de si. Ele espanca os pequenos assassinos, os intermediários, os traficantes de droga, mas nada realmente muda. Quanto mais Rorschach fica preocupado, mais as coisas pioram. Mas não faz nada a respeito disso. Como Adrian orgulhosamente aponta: seu único triunfo foi fracassar em impedir a salvação da Terra.
As convicções de Rorschach são certamente fortes o suficiente - ele está desejoso por morrer por elas, e assim o faz. É o diário de Rorschach que prepara o terreno para a destruição do Novo Mundo de Adrian. E o que poderia acontecer se o diário fosse publicado? Se a "piada" de Adrian for revelada, ela pode acabar com todo o bem feito e trazer as coisas de volta ao que era antes. Você pode argumentar que Rorschach vivo nunca poderia fazer isso. Além disso, ele colocou seu diário no correio acreditando que não iria sobreviver. Provavelmente, se ele vivesse, ele roubaria seu diário de volta. Vivo Rorschach é ineficaz. Morto, suas próprias crenças estão justificadas.
Ele é um produto do mundo. Pessimista, egoísta, teimoso, paranóico. Ele já viu a escuridão da existência e foi engolido por ela. Moore o usa como um aviso, eu acho. Se o Comediante é uma paródia do século 20, Rorschach é um filho dele. Sem realmente expressar o aviso com palavras, Moore usa Rorschach para dizer: "olhe o que podemos nos tornar".
Fim da parte I
Escrito por GüS às 13h35
[]
[envie esta mensagem]
- Watchmen - parte II
|


A Complexidade da Obra
Watchmen é uma obra extremamente complexa, com estarrecedoras construções visuais e interligações na obra.
O primeiro quadro de cada volume está relacionado ao último quadro desse volume, assim como a capa contém elementos que aparecem várias vezes ao longo do capítulo. E mais, o primeiro quadro do primeiro volume está ligado ao último quadro do último volume. O relógio na contra-capa de cada edição começa às onze para a meia noite e vai, gradativamente, se aproximando da meia-noite, em analogia ao relógio do Boletim dos Cientistas Atômicos, que indica o perigo de uma guerra atômica. A segunda e terceira capas de cada edição formam a palavra "Watchmen" quando unidas. Vale a pena conferir.
Além disso, a obra é repleta de tramas intrincados. Mostra os personagens caracterizados profundamente, contando suas histórias em flash back. Os vários eventos em comum são narrados repetidas vezes ao longo da série, de diversos ângulos diferentes. Cada personagem teve a sua percepção no mesmo evento vivenciado, fazendo-nos compreender melhor suas atitudes em outras situações.
A cena abaixo retrata a primeira reunião dos Combatentes do Crime. Esse evento chave foi mostrado pelo ângulo do todos os presentes, ao longo das doze obras. Observe o desinteresse do Comediante (lendo o jornal), e o modo com que o Dr. Manhatan e Laurie trocam olhares.

Primeira reunião dos Combatentes do Crime
As memórias em flash back vão aos poucos revelando mais e mais detalhes, até termos a situação completa. É por isso que a cada vez que lemos novamente essa obra, nos surpreendemos com algo que não tínhamos visto antes mas que estava lá, relacionado com outra coisa que ocorre bem depois.
Por exemplo, logo na primeira página da obra, encontramos uma série de elementos importantes do trama, mas que nem sequer sonharíamos em dar importância a eles. Há o broche "Happy Face", que apareceu diversas vezes ao longo da séria, inclusive em Marte; Rorschach desmascarado carregando seu alerta sobre o fim do mundo; o formato diferente dos carros elétricos; e o logotipo da Entregas Pirâmide, empresa de Ozymandias, num caminhão.
Laurie e Jon
Um fator interessante são as histórias em paralelo, mostradas com perfeição e quase tão cativantes quanto a narrativa principal. Os "Contos do Cargueiro Negro", por exemplo, são intrigantes não só pela história em si, mas também porque o seu autor aparece discretamente ao longo da saga, trabalhando na ilha em que Adrian Veidt preparava a sua arma fatal.
Mas qual é a história principal? Acho que não é justo contar e estragar o prazer de ler e descobrir por si só todas as particularidades desse intrincado trama. Watchmen é, certamente a mais complexa HQ já produzida.
|
Escrito por GüS às 11h12
[]
[envie esta mensagem]
- Watchmen - parte I
"QUEM VIGIA OS VIGILANTES?"
Como teria sido a história da humanidade se realmente existissem super-heróis?
Essa é a premissa da série que revolucionou os quadrinhos: Watchmen. Um dos maiores acontecimentos da década de oitenta no mundo dos quadrinhos. Watchmen foi publicada nos EUA em 1986 e a idéia é bem simples: Como seria o mundo se realmente existissem super-heróis? A partir desta interrogação, Alan e Dave construíram um universo alternativo cheio de detalhes interligados que contribuem para fazer desta maxi-série uma obra-prima, que ganhou vários prêmios.
Tudo começa com um vigilante mascarado, o Justiceiro Encapuzado, que nos anos trinta resolve lidar com criminosos. Logo a idéia se espalha e novos combatentes surgem: Espectral, Coruja, Capitão Metrópolis, Comediante, Silhouette, Dollar Bill, Mariposa. Nenhum deles possui super poderes, para combater o crime utilizam força, agilidade e inteligência. Todos são simples seres humanos com problemas de todos os tipos, das dúvidas existenciais à falta de dinheiro. O grupo de heróis organiza-se sob o nome de Minutemen (Homens-Minuto) e trabalha junto com as inevitáveis crises pelo meio. O Comediante tenta estuprar Espectral e é impedido pelo Justiceiro Encapuzado, que é acusado de ser um homossexual sadomasoquista. Silhouette é expulsa dos Minutemen após de revelar publicamente suas preferências lésbicas, tempos depois morre na miséria, assassinada por um vilão sem importância. Espectral abandona o grupo para se casar com seu agente comercial. O grupo se desfaz às vésperas da década de 50.
Na ausência dos velhos heróis, novas figuras mascaradas vão surgindo. Um novo Coruja, trazendo novos métodos ao velho combatente. Laurie, filha da Espectral original, assume o papel da mãe. Rorschach, um psicotico mascarado, também entra na luta, usando métodos as vezes questionáveis. Ozymandias, rico e considerado o homem mais inteligente do planeta, alia o marketing e as relações públicas à figura do super-herói. Mas o destaque na nova geração é, Dr. Manhattan, o único a possui super poderes. Jon Osterman, PhD em física atômica, sofre um acidente e é desintegrado, três meses depois, seu corpo desaparecido começa a se recompor aos poucos até que reaparece de pele azulada e poderes incríveis, quase divinos. Batizado de Dr. Manhattan pelo governo americano, ele é capaz de estar em mais de um lugar ao mesmo tempo, viajar no tempo, controlar a matéria com o pensamento, e muitas outras habilidades. A existência deste novo grupo de super-heróis acaba por levar a história dos EUA por novos rumos. Os EUA vencem a guerra do Vietnam, graças a Dr. Manhattan. Woodward e Bernstein aparecem mortos antes de poderem denunciar o caso Watergate, o que permite a Richard Nixon continuar no poder e alterar a legislação para que pudesse se reeleger em 1976, 1980 e 1984. O assassinato dos jornalistas (e também o do ex-presidente Kennedy) é de autoria do Comediante, agente secreto do governo.

Tudo isto é somente pano de fundo para a trama principal de Watchmen, cheia detalhes, revisões históricas, flashbacks habilidosos, tramas paralelas, elementos recorrentes e simetrias narrativas. São quase quatrocentas páginas engenhosamente escritas e desenhadas, um universo coerente e verossímil que deixou a sua marca na história dos quadrinhos.
Escrito por GüS às 10h45
[]
[envie esta mensagem]
- V de Vingança - parte II

A HISTÓRIA
Escrita entre 81 e 88, a série escarnece com toda a podridão do "mundo moderno" e sua pseudo-organização política e social. A princípio, a crítica de Moore voltava-se quase que exclusivamente ao governo quase fascista de Margaret Thatcher e aos ingleses Conservadores que a apoiavam, mas a coisa se tornou tão grande, que quase transformando o autor num profeta, se espalhou pelo mundo.
Passada em 1998, V de Vingança, mostra um mundo, mais especificamente uma Inglaterra, muito parecida com o mundo de hoje: as pessoas não têm mais liberdade, sendo vigiadas o tempo todo pelo governo, a política é, mais do que nunca autoritária, oligárquica e isolada da população e a miséria, a ignorância e o caos reinam vigorosos. Quase um retrato do mundo que conhecemos, exceto pelo fato de que na série, a Inglaterra passa por um "inverno nuclear" causado por uma guerra que devastou parte do planeta.
Evey é uma garota de dezesseis anos que, como tantas que nós brasileiros já vimos por aí, tem de se prostituir para sobreviver. Ela, no entanto, em sua primeira noite como prostituta, é pega por "Agentes Morais", que têm poder de decidir o que fazer com quem comete este crime contra os bons costumes. Evey, no entanto, tem a sorte de ser salva por Codinome V, a única pessoa que parece se importar com o que acontece. V, que vive num lugar secreto e que, ao contrário do resto da população, tem a sua disposição livros, discos e todo um acervo cultural, luta sozinho contra o governo fascista que domina a Inglaterra. Sua primeira façanha pública é explodir o Parlamento, um fato que já havia sido planejado por Guy Fawkes em 1605, mas frustrado pelo rei James I, que o torturou até a morte em frente ao prédio. V, no entanto, obtém sucesso e, como assinatura, queima fogos de artifício que formam um enorme "V" no céu.
É a partir daí que Alan Moore desenvolve a história e as ações de V, que depois disso mata os chefes dos departamentos do governo, departamentos estes conhecidos por "a mão", "o ouvido", "o olho", "o nariz" e "a cabeça", um paradigma em relação às suas funções. A personagem central mata ainda todos os relacionados ao governo e "adota" Evey, dando a ela a chance de conhecer Shakespeare, William Blake, Billie Holliday e Rolling Stones, ícones que, sempre que possível, Moore faz questão de citar, dando um show de narrativa, percepção linguística e de inteligência, tornando a obra cada vez mais hipnótica, mais libertadora, fazendo com que a experiência de lê-la seja um catarse quadrinhístico como poucas obras podem causar.
A inteligência de Moore transforma V num terrorista que se encaixa no arquétipo de herói que todos conhecemos, tornando a série mais atual do que nunca, pois se você já ouviu falar em Bin Laden, sabe do que estou falando. E a conexão do que o autor previu em 1981 com o agora não se dá só por isso. Alguém aqui conhece um governo mais fascista do que o atual governo dos EUA? Eu também não. Alguém aqui, ao contrário dos estadunidenses, conseguiu pensar num motivo para os árabes fazerem o que fizeram? Eu também. É aí que a série se mostra mais profunda, sendo genial exatamente onde as obras geniais o são: pegando um fato fictício ou não e o fazendo transcender todas as barreiras geográficas, ideológicas e temporais, tornando-o assim um reflexo, ou uma refração, cada vez maior, fazendo com que este fato sirva de parâmetro para tudo o que pode se relacionar com ele, ficção ou não.

Vale ressaltar que, com um final surpreendente e incrivelmente cheio de esperança, V de Vingança tornou-se muito maior do que qualquer um esperava, além de que vai muito mais alto do que os quadrinhos, muito mais alto do que uma simples idéia, tornando-se um manifesto pela liberdade incondicional e pelo direito de cidadania.
Escrito por GüS às 17h34
[]
[envie esta mensagem]
- V de Vingança - parte I
 
"Por favor, deixe que eu me apresente. Sou um homem de posses e bom gosto!" - Codinome V
A São Paulo em que eu vivo às vezes me assusta. A violência cresce a cada dia, e me pego pensando o que aconteceria se o governo realmente começasse uma operação de tolerância zero. Imagine, todos nós, pela segurança de todos, termos nossas vidas reviradas e cada passo nosso seguido de perto pelo governo. Dessa forma, nós poderíamos nos considerar seguros, mas pagaríamos um alto custo: nossa liberdade.
|
 O anti-herói é V, que usa máscara para desmascarar a sociedade em que vive
|
Esse é um assunto que está em alta no momento, devido à grande onda de violência que se espalha por todo o mundo. Mas há mais de 10 anos atrás, um gênio nos mostrou como seria uma Inglaterra pós-apocalíptica, na qual os ingleses vivem uma paz aparente, como bonecos controlados. Ah, quem é o gênio? Ele, Alan Moore
Pode ser considerado um dos quadrinhos mais difíceis já escritos, porém com uma visão pessoal extremamente bem cunhada por Moore, que mostra que os humanos são extremamente conformados em serem controlados, e ao terem a liberdade, não sabem o que fazer com ela.
|
 O Líder: liberdade ou segurança?
|
Mais que isso, V de Vingança não é somente um ode à anarquia, e sim um espelho da sociedade extramamente conservadora que nós fazemos parte. Sim conservadora, pois Moore joga na nossa cara que temos medo de crescer socialmente, para não perdermos a pouca miséria que conseguimos ao longo de nossas vidas.
A arte de David Lloyd nos coloca em um clima absurdamente real, dá pra se sentir caminhando nas enevoadas ruas londrinas. Cada quadro nos deixa mais ansioso em relação à concusão da história, que de conclusiva, pouco tem.
Alan Moore nos coloca, ao final da série, como os juízes da história. Nada mais justo, afinal, nós somos parte de V de Vingança. Somos como aquela garota que foi pras ruas se prostituir e, mesmo morrendo de medo, usava uma máscara para se mostrar forte.
Essas máscaras que nós vestimos diariamente para lidar com pessoas que não gostamos, em locais que não gostamos, em situações que não gostamos. O mascarado de V de Vingança é, na verdade, o nosso lado criança, sem culpa, sem medo, sem máscaras.
E você, prefere ter uma liberdade com riscos, ou viver pacificamente como um boneco?
Escrito por GüS às 17h05
[]
[envie esta mensagem]
- Dos Amores Que Vão -

"Fico a vê-las passarem por ali, surgindo e vindo e indo
Sem nem ao menos dar um olhar para mim.
Vejo seu cabelo loiro, moreno, curto, longo e ruivo.
Sinto seu cheiro de manhã, de trabalho e de cama.
Ouço seu choro, sua lamúria, sua angústia e indignação.
Sonho com sua risada, sua devoção, sua alegria, sua emoção.
Perco a razão todas as vezes
Que tento ser digno desses amores
Não importa a hora nem o porque
O que vale é a verdade do agora
E eu sempre digo
Para os amores que vão eu me dedico
Dos amores que vão eu entendo
Os amores que vão sempre ficam
Por sorte o mundo é sempre redondo,
E por sorte as coisas que vão
Sempre voltam..."
Escrito por GüS às 14h37
[]
[envie esta mensagem]

OS GIBIS INVADEM A 7ª ARTE
Sou leitor assíduo de quadrinhos a anos, e uma das minhas maiores alegrias foi quando vi sendo anunciado na internet que talvez iriam fazer o filme dos X-MEN. Na boa, a primeira coisa que veio a mente é quem iria fazer o nosso enfezado e baixote Wolverine. Robert De Niro, Russell Crowe, quem? Aí um total desconhecido (Hugh Jackman) ganhou o papel, e foi um total sucesso. A partir daí uma variedade de filmes de heróis foram anunciados, e minha alegria aumentava e aumentava.
O que vejo atualmente é uma grande decadência de boas historias nos filmes. Com algumas exceções, a maioria é fácil de você adivinhar o final antes dos primeiros 10 minutos.
As histórias dos ditos super-heróis simplesmente é divertida e tem um ótimo conteúdo. Como exemplo o filme do “amigo da vizinhança” HOMEM-ARANHA. O enredo em si é único: tem drama, aventura, romance e tudo o mais que um bom filme tem que ter.
Há uma enxurrada de filmes de HQ previstos para os próximos anos. Aconselho a todos a assistirem.
Não sei vocês, mas eu estarei lá pra ver!
Escrito por GüS às 15h50
[]
[envie esta mensagem]
TÁ BRABO, PAPS?

Escrito por GüS às 18h32
[]
[envie esta mensagem]

Como diria Clark: "Pro alto e avante!"
Escrito por GüS às 22h53
[]
[envie esta mensagem]
Sejam bem vindas e bem vindos!

Abraaaaço!
GüS
Escrito por GüS às 16h50
[]
[envie esta mensagem]
|
 |
 |